1 de jun de 2008

DIA DO DESAFIO

Pablo: neófytos

Apesar da grande diversidade de acontecimentos durante o dia do desafio, só puder acompanhar A apresentação cedida a bandas do cenário alternativo, espaço lá pelas 23:35, cedido as bandas Neófytos e Hawk Angel, ambas de som pesados.
A Neófytos (http://www.neofytos.palcomp3.com.br) subiu ao palco logo após uma banda de forró, não me lembro se Fusão ou Nódia de Banana, então calcula-se o grande choque que esperava o publico, porém a quantidade de pessoa que curte e acompanham o trabalho das duas bandas já lhes garantem um não tão grande mais fiel público, a banda que cada vez mais toca músicas próprias tem visto o resultado nas apresentações, onde um bom numero de pessoas já cantam suas canções, incluindo esse que voz fala, tem aumentando. A banda tocou pérolas do seu repertório como Astroscopia e os ótimos covers do Sepultura, resaltando que qualidade dos mesmo no palco só tem melhorado, o sempre performático e furioso Pablo garantiu a diversão até nos momentos finais onde disse ao presentes que se possível dessem uma contribuição pra que eles possam comprar um pedal duplo e um prato para a bateria, arrancando gargalhadas e alguns reais do amigos.
Jéssica: Hawk Angel


A hawk Angel é uma banda que tem tido uma boa aceitação do publico que no geral indo pouco além devido ao seu estilo ser voltado para o góspel, o que não deixa banda de foram a cena e do gosto de outros públicos. Houve uma pequena demora pro inicio devido ao velho problema de “fonte”, porém como sempre uma boa apresentação, a vocalista é um caso aparte mostrando um vozeirão com carinha de menina, e um batera com uma pegada firme.
Na soma do fatores foi bem legal a apresentação das bandas, ambas sabem os pontos que precisam melhorar e tem feito isso e sentido o retorno desse trabalho.


Raphael Amorim - Interior Alternativo - Di marco
raphamorim_dimarco@hotmail.com
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Porto Velho e sua visão cubista



Após o Festival Casarão e a passagem do Espaço Cubo por Porto Velho, percebeu-se que a chama dos movimentos reacendeu, principalmente para o Projeto Beradeiros que encontra-se sobre uma intensa e tumultuada chuva de ataques e contra-ataques.
Antes de aprofundarmos na atual conjuntura da cena de Porto Velho, precisamos rever alguns pontos históricos do Projeto Beradeiros.
Festival Beradeiros: Surgiu em meados de 2005 com a necessidade e o objetivo de unir as cenas do Acre e Rondônia, bem como realizar eventos que valorizassem as composições próprias. O projeto logo ganhou uma grande aceitação por partes das bandas e do público local. Os contatos se intensificaram e chegaram a outros horizontes do país.
Após o Festival Beradeiros de 2007, grande parte dos fundadores do Projeto Beradeiros teve que deixar o projeto, alguns por motivos pessoais, outros motivos profissionais, surgiu então uma nova geração que ficou com a missão de dar continuidade a esse fruto. Com uma nova visão, novos ânimos, e com pouca participação das bandas de Porto Velho o projeto realiza o Grito Rock Porto Velho e logo depois acaba parando. Momento no qual ficou a tal reflexão “Aonde foi que erramos?”.
Espaço Cubo e o Circuito Fora do Eixo: O Circuito Fora do Eixo é uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais das regiões centro-oeste, norte e sul no final de 2005. Começou com uma parceria entre produtores das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR), que queriam estimular a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos nesta rota desde então batizada de Circuito Fora do Eixo. A rede cresceu e as relações de mercado se tornaram ainda mais favoráveis às pequenas iniciativas do setor da música, já que os novos desafios da indústria fonográfica em função da facilidade de acesso à qualquer informação criou solo ainda mais fértil para os pequenos empreendimentos, especialmente àqueles com características mais cooperativas. (texto extraído do site

www.foradoeixo.org.br).
Na mesma época que conhecemos o Fora do Eixo, logicamente, conhecemos o Espaço Cubo, afinal dá pra confundir né, sendo um coletivo nacional e internacionalmente conhecido, que nos mostrou e nos mostra até hoje a importância da troca de experiências e tecnologias, bem como a importância da organização de cada cena, porém houve uma parceria de fato com o Projeto Beradeiros.
A Atual Cena
Após a participação do Espaço Cubo como parceiro do Festival Casarão, realizando funções que em Porto Velho seria difícil encontrar, ocorre uma quebra nas relações harmoniosas e pouco produtivas dentro do Projeto Beradeiros. Marcos Mitos, o então presidente do Projeto Beradeiros, decide deixar o projeto com o intuito de formar um novo coletivo alegando que suas idéias não caberiam no formato do Beradeiros, acredito que devido ao espírito político anarquista deixado pela extinta Tribo do Rock ou ainda que suas idéias não agradassem os membros restantes.
Este fato causou muita instabilidade na cena de Porto Velho, ocorre ataques agressivos e discussões muitas vezes tolas. Associou-se então tal fato a passagem do Cubo por nossa terrinha. Uma vez que o projeto sempre viveu entre amor e ódio, porém, mais ódio do que amor com os objetivos, muitas vezes ocultos do Espaço Cubo...
Por muito tempo houve sempre polêmica entre Porto Velho e o Espaço Cubo, que tal formato não caberia em nossa terra, que o cubo privilegia o estilo Indie, e blá blá blá.
Ouvi algumas opiniões sobre qual o efeito dessa passagem do Espaço Cubo, o que o Cubo poderia trazer de útil para nós e se algo mudou em nossa cena:
"Trouxe muitas coisas boas, abriu nossas cabeças, pra tipo: dá certo se tu correr atrás, com seriedade e afinco, acho que serve demais" (Raphael – Di Marco – Ji-Paraná)
“nem tudo que é possível lá hoje...é possível aqui hoje..
o pessoal do fora do eixo fazem política muito bem....é o que precisamos aprender...os caminhos políticos....a gente saber como conseguir e obter o que nos é de direito”
(Rafael Altomar – Bicho do Lodu)
“mudou, na articulação para fora do estado, ou seja, na possibilidade de troca de tecnologia com outros cantos do país” (Nettü – Vilhena Rock)
“Em parte, boas trocas de experiência que resultaram em acender a chama do independente mesmo em várias pessoas (aonde vai dar essa chama num sei, mas acendeu)” (Vinicius Lemos – Fan Rock)
O Circuito Fora do Eixo é uma das armas que as bandas independentes possuem, e que devem usar o máximo possível, pois pode facilitar a divulgação das mesmas, mas... Como tudo na vida existe o tal do "mas". Acho que há uma ênfase muito grande em certo estilo musical, o que acaba consequentemente diminuindo o espaço de outros estilos menos agradáveis aos ouvidos de quem não está acostumado com o “barulho”... Vejamos um exemplo. Num festival qualquer do Circuito Fora do Eixo os jornalistas vão sempre falar mais das bandas do estilo "indie" e bandas de punk, hardcore, heavy metal terão seus espaços reduzidos nos comentários e muitas vezes nem serão citadas, nada mais normal que isso. Ora se a especialidade e preferência pessoal é o "indie" nada mais justo que resenhar bandas de “indie”, o problema gira em torno das resenhas e apoio concedidos aos estilos mais "barulhentos", estas, sempre estão forradas, transbordando ignorância e preconceito musical, comentários do tipo "banda legal, mas não vejo futuro", “músicas iguais as do Sepultura” “músicas iguais as do Ratos de Porão”
São comuns nestes meios... E se trocarmos as figurinhas de lugar? Iríamos a um festival em que fosse o inverso os comentários seriam a mesma coisa, o punk, hardcore, heavy metal seriam enaltecidos,enquanto que o “indie” receberia exatamente as mesmas críticas, “parece cachorro grande” “bandas chatas” “parece los hermanos” então chego a seguinte conclusão: as coisas funcionam pra quem deve funcionar, pra Coveiros não funciona, prefiro continuar nos buracos do hardcore mesmo. (Giovanni Marini – Coveiros)
Acredito que em longo prazo essa passagem não tenha grandes efeitos, há algum tempo já se notam outros movimentos atuando em Porto Velho, podendo citar o Fan Rock que realiza o Festival Casarão, o Cogumelo Nuclear que realiza grandes eventos de metal,, O movimento Underground de Porto Velho com bandas e evento de rock gospel underground, e as próprias bandas como a Rádio ao Vivo que realiza as Under Rock’s. As vezes penso num futuro com divisão de bandas como rótulos, desse ou daquele coletivo ou movimento, nesse evento só toca banda do meu movimento e naquele só toca banda daqueles movimento, algo com o espírito do garoto dono da bola que não joga nada (hehe).
Como minha visão de futuro Administrador, vejo que o que é certo é a necessidade de uma organização maior dos movimentos, obtendo seriedade de seus membros, articulação, profissionalismo, planejamento, estarmos com os objetivos claros, com nossa missão e visão, e o que acho primordial, pensamento coletivo, se é pra ficar num coletivo de bandas, não podemos ser egoístas e querer beneficiar apenas a minha ou aquela banda, é preciso ser consciente, afinal, é um coletivo.
É necessário antes de tudo que o povo de Porto Velho conheça suas bandas. Valorizarmos o nosso produto, que os eventos sejam auto-suficientes e que se construa uma cena realmente forte.
Porto Velho hoje implora por uma organização de seus movimentos, é certo que não dependemos do Espaço Cubo, do Bush ou do Coelhinho da Páscoa ou quem quer que seja. Somos apenas dependentes de nossas atitudes e ações.


Elton Costa – Projeto Beradeiros – Rádio ao Vivo

2 comentários:

_maryjanne disse...

gostei da matéria do dia do desafio, ficou bacana!

_maryjanne disse...

gostei da matéria do dia do desafio, ficou bacana!